segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Só o começo mesmo...

Amanhã meu filho completa um mês de vida e só agora consegui voltar aqui para escrever. 

Eu realmente pensei que conseguiria fazer isso com mais frequência. #soquenao

E como eu já imaginava, parir é mesmo só o começo.
A gente se prepara bastante na gestação para parir e depois que o bebê nasce, você enfrenta um turbilhão de novas informações, opiniões e tudo é novidade (para mães de primeira viagem, claro).  


Vou contar da minha experiência, como tem sido a maternidade.


Amarela de tanto sangue
 perdido no parto.

Miguel quando nasceu, não mamou na primeira hora de vida como eu esperava, ele nasceu as 19h e pouco e só foi mamar na madrugada, umas 03h. Foi aquele momento único e especial, apesar do leite ainda não ter descido foi muito bom pra nós 3 (mamãe, bebê e papai). =)







Primeira coleta pra doar

No quarto dia já liguei pro banco de leite e me informei sobre como doar leite pois sempre acreditei que poderia ser doadora e esse é um lindo gesto de amor, que salva muitas vidas. Deixei tudo acertado, viriam buscar sempre às segundas-feiras pela manhã. Esterelizei um vidro e comecei a fazer a ordenha manual (que por sinal leva muito tempo e dói o braço). Levava muito tempo e saia gota a gota. Interfonei na Renata, vizinha que tinha ganhado bebê a pouco tempo e já tinha oferecido emprestar a ordenhadeira pois não usava. Ela me emprestou duas, uma manual e uma elétrica. Logo que testei a manual já achei uma maravilha (apesar de ser um processo dolorido), pois tirava muito mais do que na mão. Quando usei a elétrica então, me apaixonei, risos. Fui em busca de comprar uma pra mim e consegui uma elétrica dupla a pilha, com sutiã pra ordenhar, mais vários potinhos pra guardar o leite e uma bolsinha térmica. Um verdadeiro kit industrial de extração de leite humano... risos Agora eu estava equipada. 
Kit ordenha

Meus seios estavam fartos, vários momentos ficavam duros feito pedra, e eu ou meu esposo fazíamos massagens para dissolver as pedras e o leite pingava... aquilo doía bastante. Juntando a dor das pequenas rachaduras da pega incorreta, era um pouco sofrido. Percebi que o pequeno não dava conta do tanto de leite que tinha.


Levamos o pequeno no pediatra, uma consulta de quase 2h, conversamos bastante e ele tirou nota 10 em tudo!!!  



AMO MUITO VC VOVÓ <3
Na semana seguinte minha avó chegou de Minas pra conhecer o bisneto. Aí começaram os inúmeros palpites de vó, se é que vocês me entendem: “assim pode, assim não pode”; “tem que fazer assim e não assado”; “come isso pra dar leite”... Não vou entrar em detalhes aqui, mas vou dizer que não segui o que ela queria e fui taxada de grossa, estúpida, que não dá valor no que dizem os mais velhos e coisas assim. Eu amo demais a minha avó, mas...

Acontece que na criação do meu filho eu vou fazer como eu achar melhor e vou me apoiar no que tem embasamento científico. Não vai ser como os outros querem e sim como eu e o pai dele queremos. Falarei mais sobre isso depois.

O banho: primeiro tentamos o baldinho, mas ele chorou. Damos o banho no chuveiro, no colo, e ele ama... quase dorme, de tão relaxante. Agora ele já acostumou com o baldinho, que usamos mais a noite, tipo ofurô, só pra relaxar e banho higiênico continua no chuveiro. Usamos apenas 2 vezes a banheira dele, dá muito trabalho e acredito que ele vai gostar quando for mais velho e puder sentar e colocar bonequinhos dentro.

Ele tomou as primeiras vacinas, fez teste do pezinho, do olhinho e da orelhinha e de novo tirou nota 10!!!

Enfim, voltando à amamentação, consegui tirar leite suficiente pra doar, e apesar de dizerem que eu não tinha leite suficiente pro meu filho, estamos de peito cheio!!! E continuo doando.

Agora é só pote cheio

Aliás, eu e meu filho participamos de uma seleção de atores para uma propaganda da Câmara Legislativa do DF sobre parto humanizado e a importância da amamentação e fomos escolhidos. =)
Vamos sair na TV, que sucesso!!! Risos.

Ah, ganhamos até convite pra Confraternização de Natal das doadoras de leite. Risos...


Lição/sugestão que quero deixar para as futuras mamães:


AMAMENTEM SEUS FILHOS EM LIVRE DEMANDA 
E EXCLUSIVAMENTE POR 6 MESES
SEJA DOADORA DE LEITE
E INFORME-SE SEMPRE


1 mês de vida
Vou terminar por aqui pois tem um bebê pra cuidar. Tenho muito ainda pra falar pois nesse primeiro mês já aprendi muito sobre diversos assuntos, conheci outras mães (muito legais) que tem filosofias de criação semelhantes e tenho vivido dias de amor e apego com minha família.

Em breve volto pra contar mais.






quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Da espera à chegada de Miguel Ângelo

A GRAVIDEZ

Uma notícia inesperada, num momento oportuno: Estamos grávidos!

A felicidade se instalou, mas as preocupações também. Meu companheiro, Fernando, e eu, que vivíamos numa casinha linda e pequenina em meio ao verde da natureza tivemos que nos mudar para dar devida estrutura para o bebê que estava a caminho.
Providenciamos tudo e nos mudamos temporariamente para casa de minha mãe, até encontrarmos um lugar só nosso. Para minha surpresa, estava sendo inaugurada aqui ao lado um Centro de Desenvolvimento Infantil que incluía um programa para gestante e pós parto, o Kanguru CDI. Logo me matriculei. Lá conheci pessoas maravilhosas que levarei pra sempre no coração. Dentre elas o jovem, simpático e amável casal Eliane e Fernando, que logo de cara me identifiquei e com eles muito aprendi. Joana, nossa instrutor de Ioga, que faz um primoroso trabalho com gestantes, com quem troquei muitas figurinhas, até cheguei a participar algumas vezes da Roda de Gestantes que ela realiza juntamente com a Taíza, outra pessoa maravilhosa e que também é doula. Sem contar as diversas colegas gestantes que juntas dividimos inúmeros momentos da nossa gestação. 
Como eu já tinha hábitos saudáveis na alimentação e com esportes, mantive na gestação a qualidade de vida, proporcionalmente ao que era possível.
Minha gestação foi ótima, não tive enjoos, não fiquei inchada, tive apenas desconfortos para dormir por conta do barrigão e das inúmeras idas noturnas ao banheiro e uma bela azia que me acompanhou praticamente os 9 meses.

Bem no começo da gestação, abandonei o emprego que havia começado a pouco tempo, estava ainda no período de experiência, pois o ambiente não estava me fazendo bem. Logo me ocupei de me informar e dedicar inteiramente àquele filho que viria. Foi a melhor coisa que fiz.
Passei a frequentar diversos grupos de gestantes, um em especial me apeguei mais, foi o Grupo de gestantes de HUB, da maravilhosa professora e enfermeira iluminada Silvéria. Este grupo existe a mais de 14 anos e ajuda diversas mulheres a enxergar uma realidade mais humana da gestação e do parto, esclarece todas as dúvidas e trabalha muito o emocional das futuras mamães. Lá também conheci a Fernanda, Prem Sadala, professora de Ioga, mãe, psicóloga e doula, uma pessoa muito querida que acompanhou minha gestação e com quem criei um vínculo muito legal. Tenho muito boas recordações de lá, eu fui uma gestante muito assídua no grupo e aprendi muito. Sou grata.
Frequentei também diversas palestras e cursos sobre o tema e carregava meu esposo junto sempre que possível. Passei a ler, devorar blogs, sites, aplicativos, artigos e tudo que pude e virei a “nerd-grávida”, queria saber tudo, conhecer tudo sobre este novo mundo.
Confesso que logo no começo de minhas pesquisas me deparei com uma realidade obstétrica assustadora – a “sociedade cesarista” e suas defesas incoerentes com as evidências científicas.
Eu já conhecia um pouco sobre humanização do parto, pois tive uma gestação anterior que acabou em aborto espontâneo com 7 semanas e na época fui a uma palestra com a Dra. Carla Daher e a doula Adele. Lá tive um primeiro contato com a questão humanização que me clareou algumas ideias. Como a gestação foi interrompida não procurei mais saber. Porém agora eu queria me aprofundar ao máximo.
Sempre tive pra mim que gerar e parir um filho é a coisa mais natural, mágica e divina que há nesta vida. É algo ancestral que nos conecta com nossa essência, nossa raiz animal e selvagem. É algo que jamais pede intervenções tecnológicas se estiver tudo bem. Muito pelo contrário, pede privacidade, silêncio, recolhimento, intimidade, união macho-fêmea, carinho, paz.
Conheci então a palavra EMPODERAMENTO e me peguei a ela. Nesse processo de poder, poder escolher o que é melhor baseado em conhecimento.
Resolvi fazer meu pré-natal com a médica do convênio (famosa GO fofa), e ao mesmo tempo no HUB, pela indicação do grupo de gestantes de lá. Foi uma escolha acertada. 

1º Trimestre – tudo correu bem com o bebê, dentro da normalidade. A única preocupação 
era um mioma subseroso que eu já tinha antes de engravidar e ele cresceu tanto que 
assustava os ecografistas. Passou de 4 cm para 12 cm. Sempre alerta pra ver se estava 
ok. Descobrimos então com 16 semanas que era um rapaz! Resolvemos chamá-lo Miguel 
Ângelo – meu enviado do céu.

2º Trimestre – todos os exames ok, gestação indo super bem, muita atividade física 
específica para gestante (ioga, natação, hidroginástica, e ginástica localizada) no Kanguru 
CDI, alimentação saudável com acompanhamento de nutricionista e muita, mas muita 
informação. Fernando, meu esposo, sempre se interando e me apoiando. Resolvemos 
então que queríamos um parto domiciliar – PD. Pesquisamos as equipes de Brasília que 
faziam e por indicação procuramos pela Iara e Ana Cyntia, da Luz de Candeeiro, elas são 
enfermeiras obstétricas com muita experiência. Em nossa consulta elas nos passaram muita 
tranquilidade em tudo e gostamos bastante. Ficamos de pensar e dar uma resposta.

3º Trimestre – Mais exames e o bebê crescia saudável em meu ventre, mas na ecografia de 28 semanas a surpresa: o mioma havia se deslocado e estava bloqueando a passagem do bebê. Aí foi o desespero!

A esta altura, nós já tínhamos, inclusive, assistido ao filme “Renascimento do parto”, e sabíamos mais do que nunca que não queríamos ter nosso bebê em hospital, muito menos por uma cesárea. Fiquei inconsolável, fui em outros médicos da cidade, indicados para gravidez de alto risco, e o que ouvia só me deixava mais preocupada. Todos diziam o mesmo: “no seu caso, só cesárea.” Liguei para as meninas da Luz de Candeeiro dizendo que não teria como ter o parto em casa, e como não havíamos fechado o contrato, disse a elas que estariam liberadas para que agendassem com outra parturiente.
Foi quando retomei meu juízo e resolvi ir a uma profissional humanizada de verdade – Dra. Caren Cupertino. Já havia falado com ela via web algumas vezes e sabia de sua ótima reputação. Agendamos uma consulta na qual fomos tranquilizados pois o mioma ainda poderia mudar de lugar. Novos exames foram solicitados e com 32 semanas tivemos a alegria de saber que o “danado” do mioma havia se deslocado definitivamente, desobstruindo a passagem e finalmente afastando de vez toda preocupação e medo que havia tirado o sono.
Preciso dizer o quão felizes ficamos?! Nossa, foi muita oração viu!! Lord Ganesha, o removedor de obstáculos ouviu o nosso chamado.

                                     OM GAM GANAPATAYE NAMAHA



O CASAMENTO

Ah... abrindo um parênteses, esqueci de dizer que, em meio a isso tudo, não satisfeita em estar apenas grávida, resolvi casar! Risos... Sim, como manda o figurino: no cartório e na igreja!
Foi tudo decidido e resolvido em 2 meses. Do 6º ao 8º mês de gravidez. Nos casamos e foi lindo, perfeito, simples e verdadeiro. Pronto, agora só falava terminar os preparativos para a chegada do bebê.
Nosso casamento, 28/09/2013






















A ESCOLHA DA EQUIPE

Precisávamos, então, ir em busca de quem faria o acompanhamento do nosso “PD”, uma vez que nossa “vaga” com as parteiras Iara e Ana já havia sido preenchida. Havia uma equipe muito bem comentada que eu ainda não tinha entrado em contato, mas conheci algumas mamães que foram acompanhadas por elas tinham gostado bastante, a “Humaniza”.
Marquei minha consulta e minha mãe disse: “peça aos anjos que toquem os sinos se forem elas!”
E lá fui!!
Conheci a Kelly, e senti que sim!!! Minha busca tinha chegado ao fim!!!
Na outra consulta conheci sua parceira de equipe, Melissa, e o santo também bateu!!!
Adorei sua energia e alto astral. Fechamos contrato com elas e começamos a preparar a estrutura do parto que se aproximava dia após dia.

A DPP

Queríamos que nosso pequeno Miguel nascesse na piscina, com luzes especiais, incenso e todo o pacote "haribol" disponível!! Assistimos diversos vídeos de partos semelhantes e achamos que não poderia ser mais lindo e emocionante. Providenciamos tudo, sá faltava o Miguel fazer a sua parte. Mas espera!!! Minha DPP era para 31 de outubro, Dia das Bruxas e de uma importante prova que o papai estava há muitos dias estudando e que nos garantiria melhor condição de vida por se tratar de uma significativa progressão profissional.

Combinei com o meu bebê que esperasse a prova do papai e que depois viesse normalmente, vantajoso para ambos. Até isso deu certo: meu filho lindo escutou a mamãe e cumpriu o combinado direitinho.
Eu sempre soube que meu filho nasceria em novembro e o dia 4 era a minha maior aposta. Dia 3 era lua nova e como dizem: troca de lua é bom para nascer bebês.
Foi assim que aconteceu:

Dia 31/10 papai ansioso saiu para fazer a prova e no mesmo dia tivemos o resultado: aprovado. O dia seguinte seria de entrevista. Aprovado. Graças a Deus. E eu nessa? Ainda sem novidades, nem tampão, nem pródomos. Eu já estava com 40 semanas completas e sabia que a qualquer hora poderia começar o trabalho de parto - TP mas estava disposta a esperar até 42 semanas. Meu filho iria nascer no tempo dele.

No dia 01, enquanto meu esposo estava na entrevista, fui ao Clube D’água, onde fazia natação antes da gestação, para ver meus queridos amigos e padrinhos de casamento Dija e Dudu e aproveitar para estimular o TP e gastar energia acumulada. Nadei nada menos que 1000 metros e saí renovada.
A noite, eu e Fernando saímos para comemorar a sua aprovação.

Sábado, dia 02 de novembro, pensei, agora é hora de colocar em prática tudo que ouvi que ajuda a induzir o TP. Comi comida apimentada, meio a contragosto, pois não sou fã de pimenta, fizemos uma caminhada no parque, ao pôr-do-sol, de quase 2 horas e a noite fomos pro motel, e lá fizemos amor e tomamos um banho bem quente na banheira. Eu estava seguindo um ditado americano que aprendi:
 “Hot food, hot bath and hot sex”. Risos. 

O TRABALHO DE PARTO

Domingo, dia 03 de novembro de 2013, fui acordada pela dor da contração uterina por volta das 9h da manhã. Era diferente, desta vez havia contração e dor. Às 9h30 veio outra igual, dessas nunca antes sentida pois até este dia eu só tinha contrações de treinamento (contrações de Braxton Hicks). Fui ao banheiro e ao me limpar vi que o tampão estava saindo. Voltei para a cama e veio outra contração dolorida e com meus gemidos, meu amor acordou, então eu disse a ele, emocionada, que o TP havia iniciado, eu sabia que não se tratava de um alarme falso. Fernando logo levantou e começamos a marcar os intervalos.

Minha mãe estava se preparando pra ir à missa quando recebeu a notícia, e com certeza as orações dela foram fortes lá. Mandei msg pelo WhatsApp para a Kelly e Melissa contando a situação e a Mel me disse que estava em Pirenópolis e chegaria em Brasília a noitinha, que eu a esperasse e ela ia tomar um banho de cachu em minha homenagem, risos. A Kelly, que mora pertinho daqui se dispôs para o que eu precisasse, pediu que eu as informasse da regularidade das contrações.
Até 12h30 as contrações estavam irregulares, mas aumentando a intensidade. Resolvi ligar pra minha amada doula Dione, que logo se prontificou para vir à minha casa. Disse a ela que não se apressasse pois eu sabia que ainda ia demorar, pelo menos eu achava.




Ela chegou por volta das 14hs enquanto meu marido e minha mãe estavam no processo de encher a piscina e esquentá-la. Deu um trabalhinho, viu. E eu num clima de festa entre as contrações e xingando palavrões durante. Risos.

Eu estava ficando agoniada com a cara de dó e preocupação da minha mãe. Pedi ao Fernando que abrisse um vinho e desse pra ela se acalmar.

Eu até então estava me controlando bem, rebolei na bola, recebi massagem da Di e comi uma coisinha. 16h as contrações estavam cada vez mais forte e diminuindo o intervalo entre elas. 

Senti que era hora de ligar pra Kelly pra que ela viesse. Quando ela chegou as contrações já estavam reguladas de 5 em 5 minutos durando cerca de 50 segundos. 

Pedi pra ela ver a dilatação, eu estava com 3 cm e durante a contração ia pra 5 cm. Ela me dizia para deixar a contração vir e fazer o trabalho dela, que eu relaxasse o corpo e respirasse profundamente, lembrei disso até o final das contrações, foi muito importante. Ligou para Melissa para que ela viesse pois teria que ia dar plantão na Casa de Parto São Sebastião às 19h. Me disse que não iria embora até a Mel chegar. Entendi que coisa ia ser rápida até porque as contrações estavam vindo uma atrás da outra. E a Kelly dizia que eu estava ótima, que continuasse respirando fundo. 

Não é nada fácil, a dor é fulminante, mas ainda assim é preciso sentir a dor passar por você e relaxar.
Nessa hora a piscina estava pronta na sala mas eu não queria sair do meu quarto, na verdade, não queria sair do banheiro. Fiz o número 1 e o número 2 várias vezes, o tampão continuava saindo aos poucos. Só queria ficar na privada durante a contração e mal dava tempo de levantar dela em direção a minha cama que vinha outra. A Dione usou comigo algumas técnicas de alívio de dor e no começo funcionava mas como estava agora nada dava jeito naquela dor. Vomitei algumas vezes de dor, senti que meu organismo queria tirar tudo de dentro.
O que mais me impressionou é que todo o tempo, eu só queria meu esposo comigo, eu fazia questão que ele ficasse ao meu lado. E ele foi maravilhoso todo o tempo, fazia tudo que eu pedia, foi tranquilo e paciente, respirou muito junto comigo.



Ficaram na sala, minha mãe, minha doula, a Kelly e a Nara, fotógrafa que acabara de chegar. Mas eu não tinha condições de recebe-la, nem de dizer oi, eu não queria ninguém além do Fernando. Eu parecia um bicho na toca, não queria sair do quarto e não queria que ninguém entrasse.

Eram quase 18h quando entrei no chuveiro para aliviar as dores, foi quando a Melissa chegou, reenergizada da cachoeira (Risos), a Kelly se despediu e eu estava imersa na famosa partolândia. As pessoas falavam comigo e eu nem sei o que respondia, ou se respondia. Eu estava ali, mas não estava. Muito louco.
Voltei para a privada e numa contração a bolsa estourou ali mesmo, eram 19h e estava cada vez mais perto de ter meu filho em meus braços.
Cada hora vinha alguém me ver, uma hora a doula, outra hora a Mel, depois minha mãe, e eu me entregando àquele momento. A Dione me dizia
– Clara, você está linda!
E eu pensava: Como??? Descabelada, urrando e na privada. Linda?! Kkkkkk
A parti daqui é difícil lembrar detalhes, mas lembro quando a Mel me disse:
– Se você sentir arder me chama.
Eu não consegui dizer, mas já estava sentindo. Então eu falei:
– Quero fazer cocô.
– Clara, isso é menino que vai nascer. – Respondeu ela. – Vou pegar a banqueta pra você, sempre te falei que você não ia ter na piscina.
E era verdade, desde a primeira consulta ela dizia que eu não tinha cara que ia parir dentro da água. E ela tinha razão. Eu nem sequer entrei na piscina, nem pra relaxar das dores. 


O PARTO


A banqueta chegou e eu quis que ela fosse colocada dentro do box, lá me sentei e liguei o chuveiro. Meu amor de marido, que estava o tempo todo ao meu lado se posicionou na minha frente, pois queria receber o Miguel em suas mãos. Nesta hora a Melissa levou minha mãe para o banheiro e ela ficou sentada lá, e singelas lágrimas escorriam de seu rosto. A Dione e a Nara também vieram e fui questionada sobre a presença de todos, se eu me importava, se estava bem ou se queria ficar sozinha. Respondi que tudo bem como estava. 
Eu nem conseguia notar muito do que se passava fora da partolândia.






Na banqueta, com o chuveiro ligado, contrações intensamente fortes eu já sentia vontade incontrolável de fazer força na contração, doía muitoooooo.

A Melissa me ajudou muito nessa hora com suas palavras de incentivo e confiança. Ela disse que ele estava vindo. Disse para todos:
– Olha o cabelinho dele aqui!

Eu ficava cada vez mais tensa, queria senti-lo mas não tive forças pra colocar minha mão lá. Minha perna tremia e ela me disse que isso era a adrenalina, era medo e isso que estava atrapalhando. Perguntou se eu estava com medo, eu disse que sim. E estava mesmo, foi a primeira vez que tive medo, estava a ponto de parir e bateu um medinho... eu sentia que a cabeça do bebê não mais ia e vinha como antes, ela estava num ponto que dali pra frente só descia.

– Olha o cabelinho papai, está vendo ali vovó? – dizia a Mel e olhando fixamente pra mim ela falou – vc está no último degrau, agora vc vai entrar no “círculo de fogo”, vai sentir que está tudo rasgando lá em baixo mas não vai rasgar, fica tranquila. Ele vai nascer, só depende de você. Faz força na contração.

Então eu respirei fundo, o mundo parou por um instante e um filme passou na minha cabeça: Eu, meu marido, a gravidez, o PARTO! É agora, se depende de mim, ele vem agora!
Veio a contração e eu fiz muita força. Com coragem e emoção expulsei de dentro de mim o ser mais lindo e iluminado. Meu anjinho Miguel Ângelo.

Com ajuda da Melissa que desenrolou o cordão do pescoço do bebê, meu esposo recebeu nosso filho direto do meu corpo e o colocou em meus braços.




Como descrever esse momento? A sensação do bebê escorregar de mim e repousar em meu peito, são os minutos mais intensos que já vivi, uma sensação de completude e gratidão.

Era meu sonho realizado. 

Um parto humanizado, domiciliar e completamente respeitoso.

Agora sim eu estava verdadeiramente EMPODERADA.




O PÓS PARTO

Fiquei ali com meu filho e seu chorinho suave por não sei quanto tempo. Um tempo bom que o mundo podia acabar que eu não ia notar. Eu estava em paz, repleta de amor.
Fui trazida de volta ao mundo real quando a Mel me disse que ia aplicar ocitocina em mim pois eu estava perdendo muito sangue.
Com ajuda fui para cama e enquanto aguardava a dequitação da placenta foi feita a sutura da laceração que tive. Foram dados 4 pontos.

Um tempo depois a placenta saiu e agora sim tinha terminado o parto em si. Era hora de cortar o cordão. 

Nessa hora me emocionei muito, pois o que nos manteve conectados enquanto ele estava dentro de mim seria cortado então eu disse ao Miguel:
– Estaremos sempre ligados pelo amor, meu filho.

Então papai cortou o cordão e mamãe se acabou em lágrimas.

Ah... preciso dizer que a primeira coisa que meu filhinho fez ao nascer foi muito cocô. Risos. Sujou tudo logo de vez.



Guardei a placenta para fazer medicina com ela.





Miguel Ângelo nasceu às 19h37 do dia 03 de novembro de 2013
Pesando 3650 kg e medindo 49 cm.



GRATIDÃO


Levo comigo para sempre o sentimento de gratidão por essa experiência maravilhosa.
E em especial, quero agradecer:

Fernando, meu amor, marido, companheiro, parceiro, cúmplice, meu herói, meu orgulho. Você foi perfeito em todos os momentos. Com seu olhar amoroso me deu tranquilidade e coragem, com seu toque me acalmou e acalentou, com sua calma me ajudou a respirar e a concentrar e com sua alma me abraçou e abraça sempre. Me faz ter certeza de que não podia ser diferente, que tinha de ser você, a pessoa que me daria a mão para juntos atravessarmos a ponte que leva à felicidade. Te amo eternamente. Sou grata por tudo.

Mãe, mulher guerreira que meu deu a vida e me ensinou a enfrenta-la com coragem e honestidade. A quem devo mais do que posso oferecer. Obrigada por sempre me apoiar, por me suportar e por acreditar. Amo você.

Filho, obrigada por vir, por trazer sua divina luz pra nossa vida. Obrigada por estar presente e por tudo que ainda viveremos. Mamãe vai estar sempre aqui pra tudo que você precisar. Prometo ser dedicada, amorosa, verdadeira e companheira. Conte sempre comigo, meu amor é incondicional.

Dione, minha doula, gratidão pelo amor, pelas orações, pelas mensagens e pelas massagens, pelos abraços, pelo carinho, por cada sorriso. Gratidão ao universo por tê-la conosco. É sempre bem vinda em nossa vida.

Humaniza – Kelly e Melissa, após minha experiência posso afirmar o quão importante é ter a presença de uma equipe de profissionais capacitados e de qualidade para garantir que tudo ocorra bem. Tinha praticamente uma sala de cirurgia portátil aqui em casa. Nos sentimos seguros para enfrentar uma situação mais complicada pois estávamos devidamente amparados. E cá entre nós, tem que malhar pesado mesmo pra carregar uma mala desses hein?! Risos.
Foi perfeito o atendimento de vocês, amei desde o começo e recomendo. Mas muito além do profissionalismo, a parte humanizada da história, que sem dúvida é o grande diferencial desta equipe.
E nem venham com esse discurso que vocês não fazem nada, fazem sim, e muito. Concordo que o papel principal é da mulher, a mãe, mas vocês fazem um papel coadjuvante importantíssimo. Pelo menos pra mim foi e por isso sou imensamente grata. Valeu!!! Foi lindo e parte disso eu devo a vocês. Muito obrigada.

Nara, difícil encontrar palavras para descrever a sua sensibilidade ao fotografar nosso momento. Você soube captar com sutileza e pureza diversos sentimentos. Sua energia foi perfeita.  Muito obrigada por ter feito isso de forma tão serena e sem ser invasiva. Deixe sempre que o amor guie sua lente.

Foram diversas pessoas que participaram, com ensinamentos, palavras, gestos e incentivos, até mesmo aquelas que se opunham a minha escolha, fizeram eu ter mais força pra ir em frente, a todos que de alguma forma contribuíram para que esse sonho se tornasse real. SOU GRATA!!!


Dione (doula), Elisa (mãe), Clara e Miguel (eu e meu filho), Fernando (papai) e Melissa (enfermeira obstétrica)